436 – Quem sustenta uma OSC? Spoilers: não é o dinheiro.

Se você perguntar ao diretor de qualquer Organização da Sociedade Civil (OSC) o que tira o seu sono, a resposta padrão virá em cifras. Falamos de captação de recursos (dinheiro), emendas parlamentares, editais corporativos e a eterna corda bamba do fluxo de caixa. Há um mito corporativista, importado do mercado tradicional, de que a sustentabilidade de uma instituição do terceiro setor se resume à saúde do seu CNPJ e ao saldo da sua conta bancária. É um erro crasso de leitura. O dinheiro compra computadores, paga o aluguel e financia a logística de um projeto. Mas o dinheiro, por si só, é estéril. Quem garante a real sobrevivência e a perpetuidade de uma causa não é o investidor que assina o cheque, mas o voluntário que doa o seu tempo.

A verdade inconveniente que muitos gestores relutam em encarar é que estruturas dependentes exclusivamente de repasses financeiros são castelos de areia. Quando a economia oscila, as empresas cortam o patrocínio e o governo retém as verbas, o que sobra? Se a organização dependia apenas de profissionais que atuam unicamente pela moeda, ela desmorona. O que mantém as portas abertas na hora do sufoco é o capital humano que não está à venda. É o advogado que renuncia ao seu honorário, o comunicador que desenha a campanha na madrugada e o cidadão comum que carrega caixas no fim de semana. O voluntariado pode ser o verdadeiro colchão de resiliência de uma OSC.

Mais do que viabilidade operacional, o trabalho voluntário é o único termômetro real de legitimidade de uma causa. Uma instituição que possui verba, mas não consegue mobilizar uma única alma disposta a doar seu tempo por aquela missão, tem que rever sua causa ou ações. Ela pode ser uma excelente prestadora de serviços, mas não é uma força comunitária. O voluntário é aquele que valida o propósito da organização diante da sociedade. Ele não quer um bônus no fim do ano ou uma promoção; ele quer ver a transformação acontecer. Quando pessoas comuns decidem gastar o seu ativo mais escasso — o tempo — em prol de um objetivo coletivo, elas criam uma blindagem institucional que nenhuma crise financeira é capaz de quebrar.

Portanto, passou da hora de mudarmos a visão sobre a gestão do terceiro setor. Tratar o voluntariado como “mão de obra barata” ou um “extra bonitinho” para ilustrar o relatório anual é de uma miopia gerencial assustadora. Recursos financeiros são voláteis, burocráticos e, muitas vezes, vêm acompanhados de amarras políticas ou interesses de marketing. Já o engajamento humano, quando bem cultivado, é autônomo, orgânico e inesgotável. Se as OSCs quiserem realmente garantir o seu futuro, precisam parar de olhar apenas para as planilhas de captação de dinheiro e começar a olhar para as pessoas como recursos fundamentais. O dinheiro financia o início de um projeto, mas é a paixão e o suor de quem vai pela causa que garante que ele continue existindo amanhã. Para ajudar nisso existe a plataforma vol. Para sempre gratuita para OSCs e voluntários. www.vol.org.br

Roberto Ravagnani é palestrante, jornalista (MTB 0084753/SP), radialista (DRT 22.201), Consultor especialista em voluntariado, ESG e responsabilidade social empresarial. Voluntário palhaço hospitalar, Conselheiro Diretor da Rede Filantropia, CEO da empresa de consultoria R. R. Desenvolvimento e Transformação Humana LTDA e do VOL, porta voz pela ONU, Associado da VRS Consult da Guatemala, prof. de Voluntariado da PADLA University- México e Único Brasileiro Consultor acreditado internacionalmente por Empresability . @roberto.ravagnani