Painel sensorial e atividades sobre povos originários marcam programação inclusiva de abril na APAE de Mogi das Cruzes

Na última semana, os alunos da APAE de Mogi das Cruzes participaram de uma programação pedagógica especial que conectou o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), à Semana dos Povos Originários, em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril. As atividades incluíram a criação de um painel sensorial em sala de aula e oficinas sobre alimentação, ervas medicinais e culinária indígena, envolvendo diferentes turmas da instituição.

O painel sensorial foi desenvolvido pela professora Priscila Souza e pela auxiliar de sala Juliana Praxedes, a partir da necessidade de ampliar os recursos de acessibilidade para um aluno com deficiência visual, e, ao mesmo tempo, favorecer o desenvolvimento sensorial de toda a turma. Inspirado em práticas utilizadas com estudantes com TEA, o painel foi construído de forma colaborativa: os próprios alunos participaram da elaboração dos materiais, da escolha das texturas e da montagem do painel.

Agora instalado em sala de aula, o recurso pode ser explorado diariamente pelos estudantes, que são incentivados a tocar, explorar diferentes superfícies e perceber variadas sensações. “A proposta é contribuir para tornar o ambiente mais acolhedor e estimulante, favorecendo atenção, autorregulação, socialização e respeito às individualidades de cada aluno”, afirma Priscila.

Como parte da Semana dos Povos Originários, Priscila e Juliana também organizaram uma vivência na casa funcional da instituição. Os educandos assistiram ao filme “Tainá: Uma Aventura na Amazônia”, que apresenta aspectos da vivência de povos indígenas e sua relação com a floresta. Após o filme, a turma conversou sobre alimentação, com foco no milho e seus derivados, além participarem de uma prática culinária com suco natural de maracujá e pipoca. A atividade possibilitou a experimentação de novos sabores, convivência em um ambiente diferente da sala de aula e maior aproximação com a temática trabalhada.

Outra ação da programação foi conduzida pela professora Deyse Oliveira e pela auxiliar de sala Bharbara Bhianca da Silva Ruy Luques, que promoveram uma experiência sensorial com ervas e temperos, inspirada na sabedoria ancestral e na relação dos povos originários com a terra. As crianças tiveram contato direto com capim-cidreira, manjericão, alho-poró, coentro, hortelã e cheiro-verde, podendo tocar, cheirar e identificar características de cada planta. A proposta estimulou os sentidos, ampliou o repertório cultural e reforçou a importância do conhecimento tradicional para a saúde, a culinária e o cuidado com o meio ambiente.

No Ensino Fundamental, as professoras Adriana Nunes, Cíntia Cristina de Souza Silva e Fernanda Aparecida dos Santos, com o apoio das auxiliares Giovana Carolina da Silva, Alessandra de Cassia Marcondes e Juliana Cuba Praxedes, desenvolveram uma atividade de culinária indígena tendo a mandioca como destaque. Os alunos observaram a raiz, explorando cor, espessura e tamanho, e conversaram sobre sua origem e relevância para a alimentação dos povos indígenas e da sociedade em geral. Em seguida, degustaram a mandioca cozida.

As iniciativas aproximaram os estudantes de vivências sensoriais, culturais e educativas que valorizam a diversidade, estimulam a participação e tornam o processo de aprendizagem mais concreto, significativo e presente no dia a dia da instituição.