Oficina “Mãos que Afetam” transforma preparo do pão em experiência de acolhimento e convivência na APAE de Mogi
A APAE de Mogi das Cruzes realizou, nos dias 18 e 19 de agosto, os primeiros encontros da oficina de panificação “Mãos que Afetam”, iniciativa desenvolvida em parceria com a Clínica Neurotherapy e voltada aos pais e responsáveis pelos atendidos da instituição. As atividades aconteceram no Espaço de Convivência Eunice Strazzi, com uma turma no período da manhã do dia 18 e outra na tarde do dia 19.
Mais do que ensinar uma receita, a proposta utiliza o preparo do pão como ferramenta de acolhimento, convivência, aprendizado e troca. O trabalho foi conduzido pelo coordenador da Clínica Neurotherapy, Mateus Beraldo, com o apoio do psicólogo Plínio Jurandir e da terapeuta ocupacional Vivian Andrade.
O presidente da APAE de Mogi das Cruzes, Paulo Siqueira Toledo Júnior, destacou a importância de iniciativas que criem espaços de convivência e aproximação entre as famílias. “Um espaço de convivência como esse é exatamente para isso: mostrar que estamos juntos por uma causa. Quando falamos em deficiência, ela não define ninguém, porque sabemos como é o dia a dia de cada um, quais são as dificuldades e os obstáculos. Essa iniciativa é para quebrar barreiras e trazer a inclusão para dentro das nossas casas e dos nossos corações. Essa aproximação nos fortalece e nos dá forças, no dia a dia, para vencer os obstáculos que se apresentam”, afirmou.
Antes de colocar a mão na massa, as participantes conheceram o propósito do projeto e conversaram sobre as vivências propostas para o encontro. Na sequência, aprenderam sobre a história do trigo e acompanharam as etapas que antecedem a produção da farinha, relacionando esse conhecimento ao preparo do pão.
O momento também abriu espaço para conversas, compartilhamento de vivências e reflexões sobre situações do cotidiano. Essa troca favoreceu a identificação entre as famílias e criou um ambiente de acolhimento e escuta.
A assistente social Marisa Santos, que acompanhou as turmas, destacou justamente esse aspecto. “Identificar-se com a história do outro nos faz perceber que os desafios fazem parte da vida de todos nós. Esse encontro foi uma oportunidade valiosa para criarmos essa conexão e, acima de tudo, nos permitirmos sentir e acolher cada emoção”, avaliou.
Enquanto os pães assavam, a terapeuta ocupacional Vivian Andrade conduziu uma dinâmica sensorial. Vendadas, as participantes tiveram contato com diferentes texturas relacionadas às etapas de transformação do trigo até a farinha e foram desafiadas a identificá-las apenas pelo tato. A vivência permitiu trabalhar a percepção sensorial e demonstrar, de maneira prática, como cada pessoa pode reagir de forma diferente a determinados estímulos e texturas.
Para Vivian, a troca de conhecimentos e vivências também é parte essencial da iniciativa. “O meu objetivo aqui é realizar trocas. A gente nunca detém todo o saber. Nós temos conhecimentos e essa troca permite que cada um compartilhe aquilo que sabe e aquilo que vive, enriquecendo o nosso contato e a nossa experiência”, explicou.
A proposta também despertou novas perspectivas entre as participantes. Isangela Souza, mãe da atendida Raphaela Nicoly Soares Medeiros, destacou o impacto da vivência em sua própria trajetória. “Participar dessa atividade abriu meus horizontes. Aprendi a receita do pão para ter uma nova fonte de renda, mas a maior lição foi sobre autovalorização e lapidação pessoal. É uma experiência que funciona como terapia e nos impulsiona a querer sempre melhorar”, contou.
Mateus Beraldo ressaltou ainda a importância de proporcionar momentos que permitam sair da rotina e estabelecer novas conexões. “Nossos sonhos funcionam como o combustível diário que nos motiva a seguir em frente e buscar novos caminhos. Estar aqui hoje representa uma escolha valiosa: a decisão de sair da rotina, respirar novos ares e se conectar com outras pessoas. São iniciativas como essa que fortalecem a convivência, renovam as energias e transformam positivamente a nossa trajetória”, afirmou.
Pela APAE, os encontros foram acompanhados também pela assistente social Elizabeth Betancurt Madrigal, pela monitora Patrícia de Paula Nunes e pela estagiária Valdirene Álvares Cabral. A diretora pedagógica Ana Paula Nogaroto também esteve presente durante a realização da iniciativa.
Ao final de cada encontro, o pão preparado coletivamente foi repartido entre as participantes, reforçando a proposta de compartilhar experiências e fortalecer vínculos. Cada uma também recebeu a receita utilizada na oficina para reproduzi-la em casa.
O projeto “Mãos que Afetam” seguirá com novas turmas nos próximos meses, ampliando os momentos de acolhimento, convivência e troca entre as famílias atendidas pela instituição.



