Estimulando Vidas promove ação sobre inclusão e saúde emocional com familiares

O Projeto Estimulando Vidas, do setor de Saúde da APAE de Mogi das Cruzes, reuniu 25 pais e responsáveis, nos dias 24 e 25 de setembro, para uma ação que relacionou inclusão da pessoa com deficiência e atenção à saúde emocional. A iniciativa integrou as atividades do Setembro Verde e do Setembro Amarelo aos encontros mensais já realizados pelo projeto com as famílias.

A programação foi incorporada aos horários habituais de atendimento para facilitar a participação dos responsáveis. Na quinta-feira (24/09), oito familiares participaram da atividade, distribuídos em quatro grupos. Já na sexta-feira (25/09), foram 17 participantes, divididos em oito grupos. A ação foi organizada pela equipe do Estimulando Vidas, formada pela psicóloga Gabrielle Janasi, pela fisioterapeuta Tamiris Fernandes e pela terapeuta ocupacional Cintia Soares.

As duas campanhas foram trabalhadas a partir de um ponto em comum: o cuidado e o olhar para o outro. Enquanto o Setembro Verde abriu espaço para discutir respeito às diferenças, inclusão, participação e pertencimento, o Setembro Amarelo trouxe reflexões sobre escuta, acolhimento, valorização da vida, saúde emocional e atenção a sinais de sofrimento. A proposta mostrou às famílias como atitudes do cotidiano, como escutar, evitar julgamentos, respeitar o tempo de cada pessoa, proporcionar oportunidades de participação e realizar adaptações quando necessárias, também estavam relacionadas ao cuidado.

Um dos recursos utilizados foi a dinâmica “Mito ou Verdade”. Os familiares receberam placas e, diante de afirmações relacionadas à inclusão e à saúde mental, indicavam se consideravam cada informação um mito ou uma verdade. As respostas deram início às discussões e permitiram identificar conhecimentos prévios, dúvidas e crenças do senso comum sobre os assuntos abordados.

A dinâmica também estimulou a participação dos próprios familiares. Após cada resposta, eles puderam explicar suas escolhas, ouvir outros pontos de vista e compartilhar situações vivenciadas em suas rotinas. Dessa forma, a atividade não ficou restrita às orientações das profissionais e proporcionou uma construção coletiva a partir das diferentes experiências apresentadas pelos grupos.

Outro momento foi a construção do painel “INCLUIR É…”. Cada participante recebeu um post-it para registrar o que a inclusão significava para ele. As respostas reunidas serviram de ponto de partida para refletir sobre um dos principais aspectos trabalhados no encontro: incluir não significava apenas permitir que a pessoa com deficiência estivesse presente em determinado espaço, mas também oferecer condições para sua participação, respeitando seu tempo, suas possibilidades e necessidades e realizando adaptações quando necessário.

No eixo dedicado ao Setembro Amarelo, foram apresentados sinais de alerta relacionados à saúde mental. A conversa levou os participantes a refletirem não apenas sobre o próprio bem-estar emocional, mas também sobre pessoas próximas. Ao longo dos encontros, surgiram relatos sobre angústias, frustrações e preocupações, além de medos, receios e desafios enfrentados pelas famílias no processo de inclusão dos filhos. A troca também permitiu que alguns responsáveis percebessem que determinadas dúvidas e dificuldades eram compartilhadas por outras famílias.

Para Gabrielle, proporcionar esses momentos foi importante tanto para levar informações às famílias quanto para oferecer um espaço no qual os próprios responsáveis também pudessem ser acolhidos. “Esses encontros não são apenas espaços de orientação, mas também de acolhimento. Os familiares precisam ter a oportunidade de serem escutados, compartilhar suas experiências e perceber que não estão sozinhos diante dos desafios. Cuidar de quem cuida também é uma forma de cuidar da criança, porque uma família acolhida, orientada e fortalecida pode contar com mais recursos para acompanhar seu desenvolvimento”, destacou a psicóloga. A declaração sintetiza as considerações apresentadas pela profissional sobre a importância dos encontros com as famílias.

Ao final das atividades, os participantes receberam lembranças relacionadas às duas campanhas: um chá de camomila acompanhado de uma mensagem alusiva ao Setembro Amarelo e uma bexiga verde com uma mensagem sobre inclusão, em referência ao Setembro Verde.

A ação fez parte de um trabalho contínuo desenvolvido pelo Estimulando Vidas com as famílias. Os encontros são realizados mensalmente e abordam diferentes pautas de acordo com as necessidades identificadas ao longo do acompanhamento, além de temas relacionados ao desenvolvimento infantil, acolhimento e campanhas de conscientização. A proposta é manter espaços de diálogo, orientação, escuta e troca, reconhecendo a participação dos familiares como parte do processo de desenvolvimento e cuidado das crianças.

Sobre o Estimulando Vidas

O Estimulando Vidas é um projeto da APAE de Mogi das Cruzes voltado a crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento ou deficiência, oferecendo acompanhamento especializado durante a primeira infância e envolvendo as famílias nesse processo.

Como parte da proposta, são realizados encontros mensais com pais e responsáveis, com pautas definidas a partir das necessidades identificadas ao longo do acompanhamento. Os momentos podem abordar desenvolvimento infantil, orientações, acolhimento, campanhas de conscientização e outros assuntos relevantes, mantendo espaços de diálogo, escuta e troca entre profissionais e familiares.