APAE de Mogi desenvolve projetos que unem comunicação, sustentabilidade e preparação para o mundo do trabalho
A preparação para situações do cotidiano e para o mercado de trabalho tem ganhado diferentes abordagens nas turmas socioeducacionais (Mercado de Trabalho), da APAE de Mogi das Cruzes. Ao longo dos últimos semestres, os alunos têm participado de projetos que envolvem desde o uso de diferentes formas de comunicação e mídias digitais até a criação de uma empresa fictícia para a produção de materiais pedagógicos sustentáveis, estimulando autonomia, responsabilidade, criatividade e trabalho em equipe.
Uma das iniciativas é desenvolvida pelas professoras Elaine Faria e Suzymara Barradas e trabalha os diferentes tipos de comunicação a partir das habilidades, interesses e necessidades dos estudantes. O projeto teve início no começo do ano letivo e aborda formas de comunicação oral, escrita, visual, corporal e digital, relacionando esses conhecimentos a situações presentes tanto na rotina quanto no ambiente profissional.
Elaine explica que a escolha do tema surgiu da observação das próprias turmas. Enquanto alguns alunos já demonstravam familiaridade com celulares e recursos tecnológicos, outros apresentavam mais dificuldades. A partir dessa realidade, as professoras desenvolveram atividades adaptadas às características de cada grupo.
“A comunicação está presente em diversas situações do cotidiano e do mundo do trabalho, como conversar com colegas, compreender orientações, pedir informações, expressar necessidades, utilizar o celular e se comunicar de maneira adequada no ambiente profissional. Dessa forma, o projeto contribui para o desenvolvimento da autonomia, da socialização, da confiança e da preparação dos alunos para situações reais da vida cotidiana e profissional”, relata a educadora.
No primeiro semestre, os estudantes tiveram contato com conteúdos relacionados à televisão e ao jornalismo e chegaram a produzir um jornal. Neste mês, o foco passou para as mídias digitais e as redes sociais. O TikTok foi escolhido como ferramenta pedagógica por já despertar o interesse de parte dos alunos e possibilitar o trabalho com expressão, criatividade, socialização e uso consciente da tecnologia.
As atividades foram divididas em etapas. Primeiro, os educandos conheceram o aplicativo e assistiram a vídeos curtos com danças, gestos e expressões. Depois, participaram de exercícios de imitação e movimento, escolheram músicas, ensaiaram em pequenos grupos e produziram vídeos de curta duração. Cada participante teve liberdade para escolher a música e a forma como gostaria de dançar.
Antes das gravações, foram realizados ensaios em sala para que todos conhecessem os movimentos e se sentissem mais seguros. Nesse processo, a colaboração entre os próprios alunos ganhou destaque, principalmente quando aqueles com maior familiaridade com a plataforma passaram a auxiliar os colegas que encontravam dificuldades. “Essa troca foi muito positiva, pois mostrou que os alunos também podem ensinar e aprender uns com os outros, fortalecendo a cooperação, a autonomia e a socialização”, destacam as professoras.
Após as gravações, os vídeos foram exibidos no telão da sala de informática. Os alunos assistiram às próprias produções e às dos colegas e conversaram sobre os sentimentos despertados pela experiência. O momento possibilitou trabalhar a expressão dos sentimentos, a autoestima e a valorização das conquistas individuais e coletivas.
A ação também serviu para discutir o comportamento no ambiente digital. Entre os conteúdos abordados estiveram o respeito aos colegas, a importância de pensar antes de publicar e a compreensão sobre o alcance do que é compartilhado nas redes sociais. Além da educação midiática e do pensamento crítico, as atividades estimularam comunicação oral e corporal, coordenação motora, atenção, memória, tomada de decisões, autoestima e trabalho em equipe.
A etapa dedicada às mídias digitais e às redes sociais será finalizada para dar continuidade ao trabalho com outras formas de comunicação. A próxima proposta será o “Repórter na Escola”, que envolverá entrevistas, elaboração de perguntas e respostas, produção de notícias, registros e comunicação oral. A experiência será concluída em novembro, com uma visita à TV Diário.
Já o projeto “Criar e Aprender”, desenvolvido com outras duas turmas do socioeducacional (Mercado de Trabalho), sob a condução das professoras Gláucia de Siqueira e Iraci de Oliveira, foi finalizado no dia 11 de setembro. A iniciativa simulou o funcionamento de uma empresa e envolveu os alunos em diferentes etapas do processo, desde a escolha do nome até a produção e apresentação dos trabalhos.
A empresa fictícia é voltada à confecção de materiais pedagógicos utilizando principalmente recursos recicláveis e reutilizáveis. A iniciativa busca estimular criatividade, autonomia, trabalho em equipe e consciência ambiental, além de valorizar as habilidades individuais dos participantes.
A primeira etapa envolveu uma votação para a escolha do nome da empresa. Entre cinco sugestões, “Quebra e Cria” foi a escolhida pelos alunos. A partir daí, eles tiveram contato com diferentes aspectos da organização de uma empresa, incluindo cargos, funções, responsabilidades, horários de trabalho e rotina profissional.
As atividades também abordaram, de maneira educativa, questões relacionadas aos salários e às diferentes responsabilidades de cada função. O objetivo foi proporcionar uma vivência prática sobre organização, responsabilidade, trabalho em equipe e preparação para o mundo do trabalho.
Na produção, papelão, tampinhas de garrafa, palitos, pregadores e outros materiais ganharam novas funções. Com a participação dos assistidos, foram confeccionados quebra-cabeças, jogos da memória, jogos da velha, alfabetos, atividades com vogais, cores e números, dominós e outros materiais pedagógicos, posteriormente destinados às professoras. Além de produzirem os itens, os estudantes também tiveram a oportunidade de explorá-los, enquanto as docentes prestaram auxílio em etapas como colagem e escrita.
Gláucia destaca que a proposta permite trabalhar diferentes habilidades a partir de situações práticas. “Buscamos fazer com que eles participem de todo o processo compreendam, na prática, aspectos como organização, responsabilidade, divisão de tarefas e trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, percebem que materiais que seriam descartados podem ganhar uma nova utilidade. Cada atividade é uma oportunidade de desenvolver habilidades, estimular a autonomia e valorizar aquilo que cada estudante consegue realizar”, afirma.
O projeto ainda proporcionou vivências relacionadas a diferentes funções profissionais. Em junho, por exemplo, os alunos conheceram atividades desenvolvidas pela equipe da cozinha, desde os cuidados com a higiene até o preparo dos alimentos. Com orientação da nutricionista, receberam informações sobre alimentação, higienização dos alimentos e do ambiente, organização e validade dos produtos. Ao final, participaram de uma experiência prática de limpeza do refeitório.
A diretora pedagógica Ana Paula Nogaroto destaca que, embora desenvolvidos a partir de propostas diferentes, os projetos têm em comum a preparação dos alunos para situações do cotidiano e do mundo do trabalho. “Buscamos proporcionar experiências práticas que contribuam para o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade, da comunicação e da convivência. Cada atividade é pensada para que os alunos possam participar ativamente, reconhecer suas habilidades e ampliar suas possibilidades, sempre respeitando o ritmo e as potencialidades de cada um”, afirma.
Por meio dessas e de outras atividades desenvolvidas nas turmas socioeducacionais, a instituição busca proporcionar experiências que ultrapassem o conteúdo em sala de aula e aproximem os estudantes de situações que poderão encontrar em diferentes contextos sociais e profissionais. A proposta é favorecer uma formação que considere não apenas o aprendizado de tarefas, mas também habilidades como comunicação, convivência, iniciativa, cooperação e autonomia.



