Diversidade Humana reúne famílias para refletir sobre cuidado, autonomia e participação em alusão ao Setembro Verde

O Serviço de Média Complexidade (Diversidade Humana), da APAE de Mogi das Cruzes, promoveu, na última quinta-feira (24/09), uma ação com pais e responsáveis em alusão ao Setembro Verde. Realizado nos períodos da manhã e da tarde, o encontro aproximou as discussões sobre inclusão da realidade vivenciada pelas famílias e abordou temas como cuidado, autonomia, participação, pertencimento, autocuidado e saúde dos atendidos pelo serviço.

A atividade foi aberta pela coordenadora do serviço, Raquel Vale Palmeira, que conversou com os familiares sobre o cotidiano dos atendidos e apresentou orientações relacionadas ao acompanhamento realizado pelo Diversidade Humana. O encontro também buscou aproximar as famílias do trabalho desenvolvido e reforçar a importância de sua participação nesse processo.

“A família tem um papel muito importante no trabalho que desenvolvemos com os atendidos. Por isso, momentos como esse nos permitem aproximar as orientações da realidade que eles vivenciam em casa e construir esse cuidado de forma conjunta. Quando falamos de adultos com deficiência, também precisamos ampliar o olhar para as possibilidades de cada um, respeitando suas necessidades de apoio, mas sempre buscando favorecer sua participação, suas escolhas e sua autonomia”, destacou Raquel.

Na sequência, a cirurgiã-dentista Marli Goulart e a auxiliar em saúde bucal Vera Paes Romão, que atuam no projeto Sorrisos que Brilham, conduziram uma conversa sobre cuidado e autonomia. Um dos pontos trabalhados partiu de uma questão presente na rotina de muitas famílias: compreender até onde ajudar e em quais momentos permitir que a própria pessoa realizasse determinada atividade.

A orientação destacou que a autonomia não significava, necessariamente, fazer tudo sozinho. Dependendo das necessidades individuais, atividades como tomar banho, trocar de roupa, alimentar-se, cuidar da aparência e realizar a higiene bucal poderiam exigir diferentes níveis de apoio, desde lembretes e orientações até supervisão ou ajuda direta.

Segundo Marli, existe uma diferença entre fazer tudo pela pessoa e deixá-la realizar determinada atividade sem o suporte de que necessitava. “Existe um caminho no meio, que é apoiar. Autonomia também é poder participar daquilo que diz respeito à própria vida, entendendo o que a pessoa consegue fazer e em quais momentos ela precisa de orientação, supervisão ou ajuda”, explicou.

A reflexão também levou os familiares a observarem as capacidades dos atendidos sob outra perspectiva. Em vez de considerar apenas se a pessoa conseguia ou não realizar determinada tarefa sozinha, a proposta foi identificar o que ela já conseguia fazer e em quais etapas necessitava de suporte. Dessa maneira, o cuidado poderia ser oferecido sem tirar suas possibilidades de participação.

A conversa avançou para o autocuidado e a saúde bucal. Entre as orientações, foram destacados sinais que devem ser observados no cotidiano, como sangramento ou inchaço na gengiva, dor, feridas que não cicatrizam, mau hálito persistente, mudanças na maneira de mastigar e recusa de alimentos anteriormente consumidos. As profissionais também reforçaram a importância de não esperar pelo surgimento da dor para buscar uma avaliação odontológica e abordaram a prevenção como parte do cuidado.

Além dos cuidados com os atendidos, o encontro trouxe uma reflexão direcionada aos próprios familiares. A discussão ressaltou que, diante das demandas diárias, quem assumia o papel de cuidador poderia acabar deixando a própria saúde em segundo plano e reforçou que o autocuidado também deveria fazer parte dessa rotina.

Para encerrar, a atividade retomou os conceitos de presença, participação e pertencimento, trabalhados em alusão ao Setembro Verde. A reflexão destacou que inclusão não significava apenas estar em determinado espaço, mas também ser percebido, ter oportunidades de participar, fazer escolhas e contar com o apoio necessário para exercer um papel ativo na própria vida, na família e na comunidade.